quarta-feira, 13 de julho de 2011

FÁRMACOS UTILIZADOS NO TRATAMENTO DAS AFECÇÕES NEUROLÓGICAS EM CÃES E GATOS - PARTE III

CORTICOSTERÓIDES
As doenças neurológicas freqüentemente requerem terapia com corticosteróides (PLATT, 2002), sendo estes comumente prescritos em animais com doença espinhal devido a sua ação antiinflamatória e redução do edema. São mais efetivos em doenças neoplásicas ou inflamatórias do que infecciosas. O uso de corticosteróides no tratamento do trauma espinhal é comum, porém não é aceito mundialmente e o seu uso em doenças do disco intervertebral é polêmico. Os efeitos adversos do uso de corticosteróides, principalmente quando usados em altas doses e em tratamentos de longa duração são os efeitos gastrintestinais (úlceras) e imunossupressivos, também podendo aumentar a incidência de pancreatite (BAGLEY, 2005). Além desses, a terapia com corticosteróides a longo prazo pode causar também hepatopatias e miopatias (CHRISMAN et al., 2005).

A dexametasona pode causar complicações gastrintestinais mais severas quando comparada a prednisona e metilprednisona (THOMAS, 2002).

Pode-se fazer uso dos corticosteróides de duas formas distintas: em doses antiinflamatórias pode-se utilizar a dexametasona na dose de 0,15 mg/kg ou a prednisona na dose de 1 mg/kg ou em doses imunossupressivas no tratamento de afecções imunomediadas que ocorrem no SNC e sistema nervoso periférico (SNP), incluindo a meningite responsiva ao corticóide, miastenia grave, miosite mastigatória, polimiosite e meningoencefalomielite granulomatosa (MEG). A dose imunossupressiva de prednisona é 2-4 mg/kg q24h. Para terapêutica imunossupressiva pode-se usar a azatioprina na dose de 2mg/kg, q24h (PAPICH, 2004).

Os efeitos dos corticosteróides no SNC estão bem documentados. Indiretamente eles mantêm a concentração plasmática de glicose responsável pela função cerebral, manutenção do fluxo cerebral e influencia no balanço eletrolítico do SNC (PLATT; ABRAMSON; GAROSI, 2005).

Os corticosteróides também modulam a resposta inflamatória que resulta em necrose tecidual, diminuindo a desmielinização secundária ocorrente de 1-5 dias após o trauma craniocerebral (FENNER, 1997; PLATT; ABRAMSON; GAROSI, 2005).

A administração de corticosteróides em pacientes com trauma craniano é controversa (DEWEY; BUDSBERG; OLIVER, 1993). No passado foram utilizados protocolos para pacientes após 1 hora do trauma crânio-encefálico onde era administrado metilprednisolona (30 mg/kg) em injeção intravenosa rápida concentrada; em seguida, repetia-se esta injeção em 2-6 h (FENNER, 1997), contudo a literatura atual, principalmente sobre o traumatismo crânio-encefálico em humanos, não recomenda o uso rotineiro de corticosteróides (GHAJAR; HESDORFFER, 2004).

Em pacientes com injúrias parciais da medula com menos de 8h de evolução tem sido demonstrado bom resultado com a administração de succinato de metilprednisolona. A dose inicial é de 30 mg/kg, IV com doses adicionais de 15 mg/kg de 2-6h depois da dose inicial e depois q8h até completar 48h de tratamento depois do trauma (PLATT; ABRAMSON; GAROSI, 2005). Contudo este protocolo também tem sido questionado recentemente.

O protocolo utilizado na discopatia intervertebral degenerativa é de 0,25-1 mg/kg de prednisona, VO, q12h, com doses reduzidas por 30 dias. Nos casos de espondilomielopatia cervical ou síndrome de wobbler, cães levemente afetados podem melhorar com 0,25mg/kg de prednisona, VO, q12h (CHRISMAN et al., 2005).

Nas doenças bacterianas utiliza-se 0,15 mg/kg de dexametasona 15-20 minutos antes do início da terapia antimicrobiana (PLATT; ABRAMSON; CAROSI, 2005). O protocolo para o tratamento de meningite imunomediada em longo prazo com prednisona é 2 mg/kg, VO, q12h por dois dias, posteriormente redução para 1 mg/kg, q12h, por mais duas semanas e depois 0,5 mg/kg, q12h por um mês. Finalmente terapia por dias alternados durante 4-20 meses (CHRISMAN et al., 2005).

Nos casos de cinomose, erliquia, toxoplasmose e neosporose utiliza-se a dose de 1-2 mg/kg, IV de dexametasona. Nos casos de encefalomielite por peritonite infecciosa felina utiliza-se doses imunossupressivas e doses antiinflamatórias incluindo prednisona (2-4 mg/kg, VO, q24h) (BRAUND, 1997). Os corticosteróides podem ser eficazes na meningite imunomediada associada à erliquiose, e tratamentos curtos de 2-7 dias podem ser benéficos em caso de erliquiose com trombocitopenia concomitante (PLATT, 2002).

No acidente vascular cerebral a administração de corticosteróides não tem um efeito positivo, podendo alterar o tamanho do infarto ou hemorragia, mas provavelmente não reduzindo a pressão intracraniana, sendo o benefício da utilização nessa afecção questionável (PLATT, 2002).
Dentre as doenças imunomediadas neuromusculares a miastenia gravis pode ser tratada com doses imunossupressivas de prednisona 2-4 mg/kg durante duas semanas, reduzindo gradativamente a dose. Pode-se também iniciar com uma dose menor de prednisona (0,25 mg/kg q12-24h) e depois ir gradativamente aumentando ao longo de algumas semanas para impedir a deterioração clínica (SHELTON, 2002). Já nos casos de polimiosite idiopática e na miosite dos músculos mastigatórios deve-se administrar de 1-2 mg/kg, VO, q12h durante 2 e 3 semanas respectivamente com redução gradativa por alguns meses até fazer a retirada total do medicamento (PLATT, 2002).

Ciências Agrárias, Londrina, v. 31, n. 3, p. 745-766, jul./set. 2010

Isabelle Valente Neves ; Eduardo Alberto Tudury2 ; Ronaldo Casimiro da Costa3

1 Médica Veterinária Autônoma. E-mail: isabellevalente@hotmail.com
1∗



2 Professor Adjunto, Departamento de Medicina Veterinária, Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE. E-mail: tudury@nelore.npde.ufrpe.br

3 Professor de Neurologia e Neurocirurgia da The Ohio State University. ,E-mail: ronaldo.dacosta@cvm.osu.edu

22 comentários:

  1. minha rotteweiler tem um problema que veterinario nenhum consegue descobrir, ela fica sem andar e a unica coisa que faz ela voltar a andar e o corticortem sei que e uma droga perigosa, mas se fico muito tempo sem dar a ela, passa alguns dias e ela volta a ficar sem andar, alguem pode me ajudar, como posso administrar esse remedio sem prejudicar outras coisas, meu e mail hugamariajfs@gmail.com

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    1. Boa-tarde, qual o seu nome? O nome, idade e peso da paciente? Quais os exames realizados? O que foi identificado nos exames?

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    2. Você lhe dá algum fortificante a basa de ferro e calcio?

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    1. Definitivamente não. Existem produtos apropriados para o caso do seu cachorro. Converse com o médico veterinário que já o assiste.

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  3. bom dia
    minha York de três meses iniciou com dificuldade de marcha após a segunda dose da vacina v10.A0 assumir a postura ereta as pata dianteiras tremem e se dobram, ela fica assim alguns segundos e despois cai.Ela faz xixi sentada pois não tem força para ficar acrocada.Ela anda de lado e encolhida, o que causa a impressão de desvio na coluna.Oveterinario esta tratando com dexametasona, porem o rx não evidenciou alterações.Suspeitaram de cinomose, porem ela não teve nenhum dos outros sintomas.(febre,diarreia,vomito,secreção nasal e ocular)Percebo que cada dia ela esta pior, agora não sobe nem desce da caminha, fica chorando ate alguém ir buscar.Meu drama inicio em 03/04.Por favor, me oriente, já fui em duas clinicas e ninguém me da uma definição do que pode estar acontecendo com a minha bebe.Agradeço desde já.Natalia

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    1. podem ter acertado o nervo dela na hora da vacina!

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  4. NIMESULIDA e um antinflamtório e analgésico com pouquicimo efeito colateral, vai ajudar na dor.

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    1. Dose? Quantas vezes por dia? Por quantos dias?

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    2. NEGATIVO, ELE POSSUI EFEITOS COLATERAIS E PODE CAUSAR DANOS GRAVES EM FÍGADO, RIM E ESTÔMAGO DOS ANIMAIS. PORTADORES DE DIFICULDADE DE COAGULAÇÃO, NÃO É ACONSELHÁVEL USAR ESTE MEDICAMENTO.

      CUIDADO!

      MELHOR PROCURAR UM MÉDICO VETERINÁRIO.

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  5. Meu animal está com Miosite do Músculo Mastigatório. Iniciou o tratamento com 4mg/kg de prednisona, dividido em duas vezes, durante 5 dias. Passou para 2mg/kg, dose que estamos usando a 7 dias. Ele está mais magro, com os ossos do rosto muito aparentes mas está comendo bem. O veterinário disse que percebi bem no início e então no quarto dia de tratamento já começou a fechar a boca (pois ficou por uns dias um pouquinho aberta e tinha dificuldade para comer e beber água : muita espuma na água). Agora come normalmente é bebe água também sem espuma. Gostaria de saber se é normal ele ficar apático, não quer brincar e está mais magro? O veterinário disse que é uma doença rara. Será que ele vai ficar bom?

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  6. Boa tarde, minha cachorra escapou de morrer 3 vezes com a doença conhecida como "doeca do carrapato" porém a mesma sempre sofre com algumas feridas que aparece, ela passou por alguns veterinários e dizem que é fungos e receituam o chamado DERMEFITO(produto natural) não adianta nada...
    Pergunto aos senhores se é o caso tentar fazer um tratamento com a DEXAMETASONA?

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  7. olá, minha cachorra teve um tumor na pata operado em março, a biópsia deu maligno, com pouca margem cirurgica, com infiltração na derme. A Veterinária passou prednisona 20 mg por dia de uso contínuo, mas estou preocupada, ela tem feito xixi .queria uma outra opinião, se há algum outro meio de tratá-la, sem usar esse remédio.

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    1. digo muito xixi

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    2. Bom-dia! Preciso saber a sua cidade para poder indicar algum oncologista para a sua cachorra.

      Atenciosamente,

      Rafael Silva de Souza

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  8. Achei um cachorro poodle na rua mas ele está doente fica tremendo e parece que tem ao mesmo tempo soluço queria saber oque pode ser e que medicamento posso trata lo .não posso leva lo ao veterinário no momento pois não teria como pagar consulta .

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  9. Achei um cachorro poodle na rua mas ele está doente fica tremendo e parece que tem ao mesmo tempo soluço queria saber oque pode ser e que medicamento posso trata lo .não posso leva lo ao veterinário no momento pois não teria como pagar consulta .

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    1. Boa noite. Esse peludo pode estar com CINOMOSE... Doença viral altamente contagiosa a outros cães. Quanto mais cedo iniciar tratamento mais chances de recuperar. Vale alertar que CINOMOSE tem altíssimo índice de mortalidade e/ou graves sequelas. CORRA a veterinário competente e peça exame para a doença. Essa é época que os surtos da doença aparecem com mais frequência. CORRA!!!! O animal sofre muitíssimo.. é uma doença muito cruel!

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  10. Minha Shitzu tem alergia alimentar e sai umas físulas nela, aí eu trato com o Cort-trat. Mas eu li a respeito e varios sites dizem que tem que fazer uma regressao na dosagem, que nao pode tirar de uma vez. Como faço essa regressao de dosagem?

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  11. Meu cão está com cinomose, ele está comendo bem, já não tem mais febre, mas agora ele não está caminhando, ele até tenta, as vezes levanta e da alguns passos. A veterinaria receitou dexametasona 1,5 ml por dia e mais um complexo vitaminico de 12/12 horas. mas li que os corticoides podem trazer maleficios ao inves de ajudar, isto é verdade? o que devo fazer?

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  12. Resgatei um cão de pequeno porte no dia 01/05, após ser apedrejado e jogado em um valão. O aspecto inicial era de um trauma de crânio, pela dificuldade em caminhar, sugerindo edema cerebral. Foi medicado com corticóide, com bons resultados na primeira semana, porém esses resultados não se mantiveram. Com o declínio no equilíbrio, investigamos cinomose (sangue e líquor), neospora, criptococcus e toxoplasma, sem nada encontrarmos. O corticóide está mantido, mas sem o êxito inicial, e com efeitos colaterais como infecções cutâneas. Apenas o exame de toxoplasmose deu reagente na IgG. Haveria possibilidade de estar com a toxoplasmose restrita ao cerebelo, sem positivar a IgM? No momento ele está incoordenado, mas com as outras funções (respiratória, digestiva, urinária) em perfeitas condições.

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