segunda-feira, 14 de maio de 2012

DORAMECTINA NO TRATAMENTO DE CÃES COM SARNA SARCÓPTICA E NEMATÓDEOS GASTRINTESTINAIS.


Archives of Veterinary Science v. 9, n. 1, p. 23-29, 2004.


A sarna sarcóptica e as helmintoses representam doenças bastante comuns em cães atendidos em clínicas e hospitais veterinários, com alta incidência em canis ou locais com superpopulação de animais (ALMEIDA e AYRES, 1999).

A escabiose canina caracteriza-se por seu aspecto altamente pruriginoso, ocasionando lesões dermatológicas primeiramente na região das orelhas e cotovelos. Sua importância torna-se maior pela facilidade de transmissão através do contato direto com cão infestado e pelo seu potencial de transmissão a outras espécies. Segundo SCOTT et al. (1996) e ALMEIDA e AYRES (1999) a sarna sarcóptica pode ser transmitida da pele de cães para humanos, sendo considerada uma zoonose. 

O diagnóstico definitivo é obtido pela observação de ácaros ou suas fezes nos raspados de pele e o diagnóstico presuntivo pelos sinais dermatológicos, reflexo auricular-podal e resposta ao tratamento (SCOTT et al., 1996; MEDLEAU, 1997; CAMPBELL, 2000).

MUELLER et al. (2000) avaliaram o teste auricular-podal comparando cães com escabiose, alergia e outras dermatopatias, verificando 93,8% de especificidade e 81,8% de sensibilidade.

O tratamento da escabiose canina é realizado geralmente através da aplicação repetida de parasiticida tópico, até que as lesões ativas se resolvam, tipicamente em quatro a seis semanas (SCOTT et al., 1996; CAMPBELL, 2000).

Os nematódeos gastrintestinais em cães geram prejuízos ao crescimento e desenvolvimento animal e predispõem o organismo a infecções concomitantes (FORTES, 1997; ALMEIDA e AYRES, 1999).

O diagnóstico laboratorial dos nematódeos gastrintestinais de cães pode ser realizado especialmente pela constatação e identificação de ovos e/ou larvas em exame de fezes, através do método de flutuação de Willis-Mollay (FORTES, 1997).

O adequado tratamento e prevenção das helmintoses e da escabiose canina representam fator importante na manutenção da saúde dos cães e na prevenção de possíveis zoonoses. Recentes publicações sobre o emprego da doramectina, uma avermectina bio-sintética, derivada da  fermentação de fungos do gênero Streptomyces (ALMEIDA e AYRES, 1999), para tratamento de endo e/ou ectoparasitas em diversas espécies animais, demonstraram bons resultados após apenas uma aplicação do produto, motivando sua utilização no presente estudo.

Segundo JAGANNATH e YATHIRAJ (1999) uma única dose de 0,2 mg/kg de doramectina intramuscular ou subcutâneo foi suficiente para tratar a sarna sarcóptica em 23 cães estudados, sem a ocorrência de efeitos colaterais e com boa tolerância inclusive para filhotes.

DELUCCHI e CASTRO (2000) concluíram que uma aplicação subcutânea de doramectina nas doses de 0,2 a 0,292 mg/kg, foi suficiente para eliminar os ácaros da sarna notoédrica de gatos altamente infestados, sem a ocorrência de efeitos adversos.

SINGARI et al. (2001) realizaram o tratamento de seis coelhos apresentando sarna notoédrica, com aplicação única de doramectina na dose de 0,4 mg/kg subcutânea, obtendo eliminação da infecção no décimo dia pós-tratamento. 

PACHALY (1999) e ULUTAS e VOYVODA (2000) utilizaram a doramectina em cães com sarna demodécica, refratários a outros tratamentos, em doses de 0,4 a 0,465 mg/kg, via subcutânea, em intervalos de uma ou duas semanas, durante seis a dez semanas, verificando recuperação clínica e raspados de pele negativos.

O presente estudo objetivou, especialmente, verificar a eficácia da doramectina em única aplicação contra o ácaro Sarcoptes scabiei e nematódeos gastrintestinais em cães; verificar a presença de reação adversa sistêmica ou cutânea após aplicação da doramectina; avaliar a evolução das lesões dermatológicas e determinar o período de melhora do prurido após o tratamento.

O experimento foi realizado com 26 cães, 13 fêmeas e 13 machos, sendo 21 cães sem raça definida, dois Poodles, um Akita, um Fila Brasileiro e um Teckel, com peso variando entre 01kg e 40kg. Todos os cães selecionados estavam naturalmente infectados com nematódeos gastrintestinais e com o ácaro Sarcoptes scabiei.

O diagnóstico da escabiose canina foi realizado através de múltiplos raspados cutâneos, em uma a dez áreas acometidas, com lâmina de bisturi e óleo mineral, submetidos posteriormente a exame microscópico. Os raspados de pele foram realizados nos dias zero, 14 e 28. O reflexo auricular-podal foi testado em todos os cães do experimento, no dia zero, como auxílio diagnóstico para a sarna sarcóptica.
Realizaram-se exames coproparasitológicos para pesquisa de ovos e/ou larvas de nematódeos gastrintestinais, utilizando-se o método de flutuação de Willis-Mollay, nos dias zero, 7, 14, 21 e 28, para verificação da presença dos parasitos.

Os animais do grupo de tratamento receberam injeção subcutânea de doramectina 1% na dose única de 0,3 mg/kg e os animais do grupo controle receberam injeção subcutânea de solução de NaCl 0,9%
na dose única de 0,03 ml/kg. As aplicações foram realizadas na região do flanco direito, no dia zero.
.
As principais lesões dermatológicas observadas nos animais estudados foram alopecia, eritema, pápulas, escamação da pele, hiperpigmentação, escoriações, crostas, pústulas e liquenificação, de acordo com SCOTT et al. (1996). Observou-se na maioria dos animais a presença de lesões na região posterior da coxa, com presença de alopecia, eritema e pápulas, sendo uma região não descrita na literatura como comumente afetada em animais com escabiose.

O prurido foi observado em todos os animais, como um dos principais sinais da sarna sarcóptica, desencadeando lesões secundárias, como escoriações e autotraumatismos, conforme SCOTT et al.
(1996).

No grupo controle houve piora gradativa das lesões em todas as semanas do experimento e permanência do prurido durante todo o estudo, sendo que, na quarta semana, todos os animais apresentavam-se com intenso eritema e escoriações, além de alopecia, pápulas, escamação, crostas e hiperpigmentação. Os animais do grupo tratamento reduziram o eritema e as escoriações, de forma significativa, a partir do 14º dia, assim como o prurido, com crescimento de pêlos nas áreas com alopecia. Na quarta semana do experimento, todos os animais do grupo tratamento apresentavam-se sem lesões dermatológicas ativas.

Verificou-se redução gradativa dos sinais clínicos da escabiose após aplicação única de doramectina, na dose de 0,3mg/kg subcutânea, com total recuperação dos animais tratados, conforme estudos realizados em diferentes espécies (JAGANNATH e YATHIRAJ, 1999; BERRY, 2000; DELUCCHI e CASTRO, 2000).

O exame coproparasitológico (método de Willis-Mollay), conforme indicado por FORTES (1997) para diagnóstico de nematódeos caninos, foi positivo para todos os animais no dia zero, sendo que o grupo tratamento apresentou 14 animais infectados por Ancylostoma sp, seis por Toxocara sp, três por Trichuris vulpis e um por Uncinaria stenocephala. No grupo controle cinco cães apresentaram infecção por Ancylostoma sp, um cão por Toxocara sp e dois cães por Trichuris vulpis.

Os cães do grupo tratamento apresentaram contagem de ovos negativa nas fezes a partir da primeira semana após a aplicação da doramectina, em dose única subcutânea, sendo que na terceira semana do experimento todos os cães do grupo tratamento apresentaram exames de fezes negativos. Os animais do grupo controle mantiveram exames de fezes positivos durante todo o período de estudo.

As seguintes fotos não fazem parte do artigo acima transcrito.


SARCOPTES SCABIEI



ANCYLOSTOMA - OVO


ANCYLOSTOMA ADULTO


TOXOCARA CANIS


TRICHURIS VULPIS - ADULTO


TRICHURIS VULPIS - OVO


UNCINARIA STENOCEPHALA



PARA DESCONTRAIR, SARCOPTES AO SOM DE TCHU TCHA TCHA :)


 video















16 comentários:

  1. Olá
    meu nome é Gil,meu e mail é gildith@hotmail.com
    Peguei um cão de rua e estou tratando dele,veio cheio de sarna e outros parasitas.A veterinária daqui receitou advocate,já coloquei 2 vezes em intervalos de 8dias,estou dando tb DERME E PELOS,notei que o pelo está crescendo,mas ele se coça muito,fico com pena...
    Será que posso aplicar o doramectina,ele deve estar pesando agora uns 20kg?
    Obrigada
    Amei esse site
    Gil

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  2. AGUARDE 30 DIAS PARA DAR O COMPRIMIDO RECEITADO POR UM VET

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  3. Peço que as pessoas se identifiquem logo abaixo de suas respectivas postagens.

    Att,

    Rafael Silva de Souza
    Médico Veterinário
    CRMV/DF 1651.

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  4. Olá bom dia, Gil tbm peguei um cão de rua, muito mal, além do tratamento veterinário, estou usando uma mistura de babosa com própolis em solução aquosa (não pode ser em solução alcóolica), hidrata a pele do animal, e saem aquelas cascas, ajuda muito, vale a pena tentar e o veterinário disse que é bom mesmo.

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  5. Rosilene Ferreira6 de julho de 2013 09:48

    Boa Tarde, Sou a Rosilene Ferreira. de João Pessoa. PB meu cachorro esta com o corpo com algumas manchas vermelhas e coça muito, levei ele no veterinário. ele tem 7mesês, e o veterinário passou Tetisarnol coveli em spray ,Sulfiram o sabonete e Biotox. só usei o spray desde do dia 04/07/13, e os outros vou começar usar hoje. Será que tem cura mesmo, e o tratamento esta certo? ou devo usar esse que você esta indicando o DORAMECTINA. Agradeço desde já sua atenção.

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    1. Boa-tarde, o diagnóstico foi confirmado de sarna ou é apenas uma hipótese?

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  6. foi diaguinosticado que o meu animal de apenas dois meses está com sarna sarcóptica. E estou dando banho com um sabonete a base de enxofre e aplicando sarnak após o banho. Esse tratamento resolve?

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    1. O colega médico veterinário que prescreveu o tratamento, certamente saberá informar melhor. Não sei quantas lesões o seu animal possui.

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  7. Boa tarde,
    Tenho um fila de 50 kg que apresenta sarna dermodecica, entretanto a veterinaria que o atendeu recomendou banhos semanais de TRIATOX, mas acho melhor trata-lo com doses semanais de DORAMECTINA, neste caso qual seria a dosagem adequada ?
    Obrigado

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    1. Boa-tarde Sr. Marcos. O estudo acima foi realizado com pacientes diagnosticados com sarna sarcóptica. Converse com a médica veterinária sobre a sua decisão. Fique à vontade para imprimir o estudo e mostrar para a colega.

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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  9. Vou copiar o que um tal Gilberto disse ao tratar sobre sarnas e sarna demodécica: "Passei por essa experiência com a minha pinscher de 6 meses, levei-a ao veterinário e o resultado foi “sarna demodécica”, e foi-me receitado medicamentos (fortes) além de banhos com produtos também fortes, segui a risca todas as recomendações, e mesmo assim nada resultou, a doença continuou evoluindo, foi então que eu resolvi pesquisar mais sobre o assunto e depois de muito ler e estudar consegui chegar a algumas conclusões que me levara ao seguinte tratamento que se verificou eficaz, e que por esse motivo me levaram a postar aqui e em outros fóruns a minha experiência que se revelou positiva.
    O método descrevo a seguir:
    Peque uma bisnaga de aproximadamente 250 ml e encha com aproximadamente 100 gr de enxofre alimentar (vendido em casa de animais ou na internet), complete o restante com óleo de soja novo, sem uso, agite bem durante pelo menos um dia (de forma intercalada), no dia seguinte aplique sobre todo o corpo do animal (é importante frisar que, se o animal tiver o pelo grande deverá ser tosado de modo a ficar o menor possível em todo o corpo) Nota – lembre-se que embora o problema esteja localizado, aparentemente, ele está disseminado em todo o corpo, por isso o tratamento também deverá ser feito em todo o corpo, assim, passar o óleo por todo o corpo (não precisa agitar a bisnaga, basta passar somente o óleo que fica na parte de cima), após esse procedimento deixar no corpo do animal, não há problema dele lamber, o produto é alimentar, não provoca nenhum problema, mesmo sendo filhote, esse procedimento deverá ser feito durante três dias consecutivos, e a partir daí, passar o óleo a cada sete dias durante pelo menos 8 semanas (lembre-se que o ciclo de vida dos parasitas é de aproximadamente 4 semanas, ou seja, se o procedimento for interrompido, os ovos irão nascer e o problema irá voltar.).
    Durante o intervalo de uma aplicação e outra do óleo deverá passar no corpo do animal polvilho granado (no corpo inteiro) durante as 4 primeiras semanas.
    Com esse tratamento toda e qualquer espécie de parasita irá desaparecer para sempre.
    Os resultados são efetivos, no meu caso após esse tratamento voltei a leva-lo ao veterinário e foram feitos os exames e ela estava totalmente isenta da sarna.
    Espero ter ajudado a quem precisa, este método serve para todos os tipos de males na pele dos cães e gatos."

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    1. boa tarde, após passar o produto qto tempo deixo o produto agir para dar banho? ou só banhar qdo terminar 0 tratamento?

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  10. Oi a minha cadela esta horrível cheia de sarna o que eu faço? Já usei creolina tiuran e nada me ajudem

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  11. Vivian, a Creolina mata o cão.Não é um produto par ser usado em pele de animais.

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